Variedades

Amor pelo axé: conheça um pouco do babalorixá Antônio de Xangô

30 de setembro de 2015

por Observatório Feminino

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O semblante é forte, mas revela uma doçura originária do povo de santo. As mãos são calejadas de uma vida de luta em defesa da cultura e da religião afro-descendente. “Nós enfrentamos muito preconceito. Recentemente, na caminhada dos terreiros, no Recife, fomos apedrejados. Isso mostra que ainda há muita intolerância com a nossa religião, o nosso jeito de vestir, de andar e de falar. Já passamos o tempo dos escravos, mas ainda estamos vivendo um tempo de libertação disso”, afirma Pai Antônio de Xangô, babalorixá e morador de Jaboatão dos Guararapes, uma das personalidades que defendem o orgulho negro.

Apesar do preconceito e da luta de cada dia, a vida no terreiro é algo que encanta. Diariamente, o babalorixá divide suas obrigações com o santo, com a luta pela igualdade de direitos. Pai Antônio é membro do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e milita nos movimentos de defesa dos direitos humanos, na defesa do povo de terreiro.

“As coisas melhoraram em relação ao que eram antes, mas precisamos de mais avanços. Nossas festas são bem procuradas, não apenas pela cultura, mas também pela comida que oferecemos. Nós estamos plantados em uma comunidade carente, que precisa de ajuda e nossas festas oferecem alimentos. Além disso, ajudamos a comunidade com cestas básicas e toda ajuda a mais é bem vinda”, explicou.

Anos se passaram e, mesmo com todos os avanços na sociedade, o preconceito ainda existe. A cultura afro-descendente é rica, cheia de nuances específicas e particulares. O amor e o respeito pelo santo, pela cultura, orgulho pela cor, pela raça, formam o combustível que impulsiona a vida de um dos mais importantes babalorixás do município.

“Eu me orgulho de ser negro, eu me amo, a gente tem que se amar primeiro. Eu amo meus filhos, meu terreiro. Já são 16 anos morando em Jaboatão e eu amo essa cidade, amo meu bairro. Tenho orgulho de dançar meu candomblé, de fazer meus batuques, minhas rezas. O importante de tudo isso é quando vem o agradecimento, um ‘Deus te abençoe’, isso me faz continuar nessa luta. Não é fácil tocar um terreiro, somos humilhados, pisoteados, massacrados, mas nós aqui temos um lema: nascemos conscientes e somos resistentes às águas, aos ventos, às tempestades e, por isso, estamos aqui. Eu nasci no candomblé e só o zambi maior pode me tirar”, afirmou.

*Publicação via Jaboatão Acontece
(texto Felipe Leite)

Imagem: reprodução/Jaboatão Acontece

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