Variedades

O custo da confiança

19 de junho de 2017

por Ana Karla Gomes

Nesses tempos sombrios que o Brasil atravessa, sobretudo com as declarações do empresário Joesley Batista – que agora atribuiu a Temer o posto de chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil – cumpre a cada cidadão lembrar o valor da democracia.

Costuma se dizer por aí que a principal causa da crise política que o Brasil atravessa é a ausência de confiança em seus líderes, consequência inevitável dos intermináveis escândalos de corrupção que os jornais reiteram. Mas essa máxima tem sido aceita sem muita reflexão.  Afinal, como explicar a confiança popular que enseja no efeito “Bolsonaro Moralizador” ou no “Volta Lula”? Ou a confiança de setores empresariais e políticos que sustentam o moribundo governo Temer?

No que diz respeito aos movimentos de apoio a Bolsonaro e a Lula, ambos me parecem fruto de credulidade irrefletida e perigosa: o primeiro representa a fé cega na ideia de mão forte para colocar o país em ordem, inclusive, com base na intolerância no trato com as minorias; o outro representa uma cegueira inocente e irresponsável diante da corrupção instalada em seu governo.  Nesse sentido, não parece muito crível que o problema seja de confiabilidade nas lideranças.

O Presidente da República está sendo acusado por um delator de chefiar organização criminosa e mesmo assim persiste no poder. Aqui também reside a questão da confiança irrefletida em sua condução política,  não pelo povo, claro, esse só assiste encolhido e humilhado aos fatos, mas do Congresso e da classe empresarial que anseia pela contenção do encolhimento da economia,  considerando o êxito na aprovação de reformas impopulares, porém, necessárias, que o presidente assumiu fazer. Desconsideram esses grupos, entretanto, o nervosismo do mercado a cada capa da Revista Veja.

Hannah Arendt diz que o fim da política é a liberdade e o seu exercício se opera através da capacidade de votar e de ser votado. Há espaço, na democracia, para os erros oriundos do resultado de sua prática, inclusive da mais sublime. Apesar de termos elegido erroneamente muitos de nossos representantes, o caminho mais firme para se contornar os problemas econômicos e sociais advindos da crise política,  é a confiança no uso do instrumento da liberdade – o voto (não confundir com a confiança na pessoa que o recebe), pois não sabemos em que circunstâncias estaremos quando formos exercê-lo outra vez. Uma coisa é certa, até 2018 estaremos sangrando e devemos estar atentos para não elegermos quem pretende esvaziar seu alcance.

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