Variedades

Os elefantinhos

20 de março de 2017

por Observador

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Dia desses, meio que ao acaso, fiquei a meditar sobre os elefantes. Animais fabulosos, os elefantes.

Acreditem: uma das primeiras cenas, talvez a primeira delas, que um elefantinho vê ao chegar neste mundo é a de membros da manada garantindo a segurança do parto! Notável, isso.

Quando a manada é atacada por leões ou outras feras, imediatamente os elefantinhos são posicionados atrás dos adultos, de forma a garantir uma melhor segurança.

O curioso é que os elefantes agem assim naturalmente! Este é um padrão de comportamento – faz parte da natureza deles. Não houve a necessidade de nenhuma “Declaração Universal dos Direitos dos Elefantes” elaborada pela “Organização dos Elefantes Unidos” para que eles se comportassem de forma honrada e digna. Repito: eles veem nisso algo normal, o mínimo que se espera de um representante de espécie tão nobre.

Enquanto isso, a cada cinco segundos alguma criança – humana, claro – morre de fome por este planeta afora. Um planeta que, conforme estudos da ONU, produz alimento suficiente para todos os seus ocupantes.

Uma criança a cada cinco segundos são doze por minuto. 720 por hora. 17.280 por dia. 518.400 por mês. Isto dá uns dois mil aviões de passageiros lotados de crianças caindo todos os meses, sob as nossas vistas impassíveis.

Fico a pensar, neste momento, no que ocorreria se um único avião carregado de pimpolhos se acidentasse em alguma viagem rumo à Disney. Seria uma comoção mundial. Se dois deles caíssem, haveria até passeatas e prisões.

Pois é. E mensalmente caem não dois, mas dois mil! Que diferença faz um avião! E preferimos nem comentar isso! Conforta-nos o espírito pensar que “isso é coisa daqueles países miseráveis lá da África ou do sul da Ásia”.

Grande engano! Em média, uma a cada cinco crianças dos países ricos – nosso Brasil incluído, juntamente com Estados Unidos, Inglaterra, Itália e outros – vive na miséria. Uma a cada cinco!

Há também as mortes por falta de saneamento básico. São 900 crianças morrendo por hora no mundo só sob esta rubrica. Aqui no Brasil, pelas mesmas ruas que percorremos diariamente, 20 crianças perecem a cada dia. São 600 crianças por mês, o equivalente a uns três jatos de passageiros. Crianças que não tiveram respeitados direitos os mais básicos – afinal, não são elefantinhos!

Pedro Feu Rosa é autor da página pedrovallsfeurosa.com.br, desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, tem textos publicados no Congresso em Foco e no jornal Folha do Espírito Santo.

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