Variedades

Religião e política não se discutem, mas se parecem

10 de maio de 2017

por Talita Corrêa

A gente ainda não aprendeu que ter certezas e escolhas nos faz humanos. Mas acreditar que nossas certezas e escolhas são únicas e absolutas nos faz idiotas… Um pontinho de nada num universo gigante.

Nesse contexto, religião e política não se discutem, mas se parecem. No dia de ontem, que terminou com o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, as timelines estão cheias de papas da inocência, de pajés da idolatria, de pastores do ódio. Gente da igreja do contra e gente do templo do a favor. Que acredita no que diz e, às vezes, briga pelo que acredita com a cegueira arrogante de uma fé que não se paga.

A política anda “desracionalizada”. Uma corrente sem pensantes. Uma filosofia sem meio termos, sem reconsiderações. As pessoas escolhem deuses e diabos para crucificar. Ajoelham-se no milho da ignorância para se indispor. São fiéis desorientados da própria autoafirmação.
Esquecem que religião propõe redenções pessoais. Precisa ser respeitada. Política propõe escapes sociais. Precisa ser equacionada.

Quem guarda santinho do Moro na carteira, ou que é capaz de colocar a mão inteira no fogo sagrado, jurando pela pureza admirável de Lula em oração, virou vítima de uma doutrina inventada. Venera, cultua, devota o que não tem a ver com alma. Esquece que a própria certeza é um universo gigante para um mísero pontinho de nada.

Pode não parecer, mas essa é uma opinião isenta, pollyanna. Dessas que propõem tolerância e moderação àquelas pessoas que andam transformando o país numa guerra única de duas partes.

É triste ver que, para muita gente, não basta estar no meio do campo, ouvindo e respeitando dois lados. É preciso destilar escolhas raivosas e demonizar inimigos de esquerda e de direita, como se nossa verdade fosse única, absoluta e irretocável.

Moro não é super herói pra merecer honras de ovação. Lula não é santo pra merecer altar. É político, é pai, é homem. Aceitar isso e buscar convencer o outro do que lhe parece mais óbvio é politização. Não aceitar isso e desejar que o outro compartilhe da sua mesma intensidade de fé cega é evangelização. Dessas panfletárias que se fazem no meio da rua, invadindo a calçada de respeito do outro.

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