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‘Uma Política Social Preventiva inclui a educação e a geração de emprego’

8 de abril de 2017

por Observador

Ante o crescimento dos índices de violência em todos os níveis de atividade humana no Brasil, o Estado tem se mostrado incompetente. Não conseguiu controlar o aumento desenfreado da criminalidade. As capitais do Nordeste se tornaram as campeãs em mortes por homicídios por armas de fogo. Basta verificar o Mapa da Violência para constatar.
Mata-se mais no Brasil que na Síria. Entre 2011 e 2015, tivemos no Brasil 278.834 mortes violentas. Nesse mesmo período, o número de mortes violentas na Síria foi de 256.000.

Como se vê no noticiário internacional, o Brasil é/ campeão mundial de mortes por armas de fogo.
Somente no ano de 2015, o Brasil registrou, em números absolutos: 58.467 assassinatos; 45.460 estupros ; 110.000 armas ilegais apreendidas.

Em números relativos, os índices dos estados do Nordeste do Brasil são os mais elevados. Os três estados mais violentos do Brasil são: Sergipe: 57,3 mortes violentas a cada cem mil habitantes ; Alagoas: 50,8 / cem mil e Rio Grande do Norte: 48,6 / cem mil.

80% das vítimas dos homicídios praticados no BRASIL são: Jovens, entre 15 e 24 anos de idade; Do sexo masculino; Cor parda ou negra; Pobres.

Tal constatação configura que vivemos no Brasil uma verdadeira guerra civil não declarada. Esses números só não causam uma comoção mundial, porque as mortes ocorrem distribuídas ao longo do ano, de forma isolada, não concentrada. Por isso não são destaques da mídia internacional.
Pesquisas levantaram que 76% da população vive premida pelo medo.

Os governos,  pressionados pelo clamor de uma população refém da criminalidade, lançam a cada ano, um Plano Nacional de Segurança, com esse mesmo nome que, de nada adianta.

São mais de 30 anos de descaso no Brasil com a segurança pública, eclodindo agora na crise do sistema penitenciário e nos motins dos policiais militares estaduais.
Para uma população carcerária de 600 mil apenados, temos um déficit de 250 mil vagas.

Os governos brasileiros falam apenas em repressão da criminalidade.

Agora mesmo, o governo destinou R$ 778 milhões para a compra de armas e equipamentos para as polícias e construção de novos presídios.
Considerando que apenas 5% dos crimes investigados chegam às barras dos tribunais, fala-se em aumento das penalidades, redução da maioridade penal, agilização da Justiça, diminuição da impunidade.
Tudo isso é necessário, mas ninguém fala da prevenção.
Está provado que a repressão só fez aumentar a criminalidade.

Uma Política Social Preventiva inclui a educação e a geração de emprego, prioritariamente. Dois terços dos jovens brasileiros estão desempregados. O jovem que não estuda nem trabalha é facilmente aliciado pela criminalidade.
A prevenção é o que fazemos, o Rotary e seus parceiros. Será e sempre foi o foco de nossas Ações.
Para agir preventivamente, minha proposta, é instituir neste ano do Centenário da Fundação Rotária, Subsídios Globais, no valor mínimo de 30 mil dólares cada, para, em parceria com as Prefeituras Municipais, atuar nas turmas das Escolas Municipais de Ensino Fundamental 2, de forma a implantar uma Cultura de Paz e Não Violência, paralela à grade curricular básica do Ministério da Educação.
Assim, conseguiremos alcançar a faixa etária de 11 a 15 anos, em que os jovens, de ambos os sexos, encontram-se mais vulneráveis à violência e ao risco de serem cooptados pela criminalidade.

Esse é um trabalho de médio prazo. Tem que alcançar todo o corpo docente e discente, incluir uma política de melhoria do rendimento e aproveitamento escolar, de valorização dos professores e de monitoramento e avaliação dos resultados.
O projeto terá duração de dois a três anos. Empregará metodologia de dinâmicas de grupo, discussões dirigidas, colóquios, com participação interativa, em reuniões que poderão ser bimensais, contando com facilitadores especializados, terapeutas, psicólogos, psiquiatras, médicos, pedagogos, professores, todos profissionais contratados, incluindo o fornecimento de alimentação, camisetas alusivas ao projeto.
Nosso propósito é ensinar a esses jovens e, por extensão às famílias, os valores humanos de ética e civilidade, de paz e não violência, de forma a que eles possam se desenvolver com dignidade, como chefes de família dedicados e aprendam a ganhar o pão de cada dia de forma honesta.

BERNARDINHO

ALBERTO BITTENCOURT  é membro do Rotary Club, palestrante, conferencista, motivador, consultor, escritor, biógrafo pessoal.

 

 

 

 

 

 

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